COPENHAGUE - Apesar dos protestos calorosos na entrada principal da COP 15 - a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas -, do lado de fora dos corredores, o clima era tão gelado, quanto o inverno europeu.
No fim, um alento. Os Estados Unidos e outros países ricos acenaram com a criação de um Fundo de US$ 100 bilhões por ano. Mas a maior parte do dinheiro vai para os países pobres que sofrem mais com os efeitos do aquecimento. É a chamada adaptação. Apenas parte do Fundo, uma pequena parte, vai para mitigação - evitar que países em desenvolvimento emitam muito CO2 para a atmosfera.
No caso do Brasil, 75% das emissões saem de queimadas da Amazônia e o dinheiro pode ser usado para diminuir o desmatamento. É pouco, diante dos compromissos que todos esperavam.
"Se este Fundo for criado, ele vai estar aonde? No Banco Mundial? Vai ser colocada sobre a guarda desta Convenção? Vai se criar uma nova burocracia internacional financeira, que demanda tempo? Nada disto está resolvido", afirmou o coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário.
No sábado, um dia depois do previsto, foi aprovado um documento final, que não era unânime nem específico. De forma geral, ditava preceitos básicos, sem consenso, sem compromissos. Mas nem tudo foi em vão. As florestas, até então fora de toda a discussão planetária sobre o clima, foram incluídas no documento. Questões sobre meio ambiente e sustentabilidade, entraram definitivamente na agenda mundial.
Essas duas semanas de Copenhague levaram o problema do aquecimento global para os noticiários e envolveram sociedades. Os países apresentaram metas voluntárias e muito aquém do que esperado, mas ainda assim, metas de redução.
O que podemos fazer? Acompanhar negociações, se interessar pelo tema e ajudar a construir uma consciência ambiental. A Amazônia ganha com isso, e todos nós também. O mundo tem mais um chance daqui a um ano, no México, na COP 16.
Philip Fearnside
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