29 de outubro de 2009
MANAUS - O Museu da Amazônia (Musa) recebe os pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas, José Aldemir de Oliveira, do departamento de Geografia, e Otoni Mesquita - do departamento de Artes-, que abordarão o tema “Olhares sobre Manaus – espaço e movimento”. As palestras acontecem amanhã (29), às 17 h.
A palestra acontece justamente alguns dias após a cidade de Manaus completar 340 anos e tratará das mudanças ocorridas em dois momentos distintos: século XIX e de 1920 a 1967.
Otoni Mesquita foca-se nas reformas urbanas processadas no século XIX, sobretudo, da última década, apresentando informações elaboradas durante os estudos de doutorado do pesquisador que se baseia na tese de ‘refundação’ da cidade.
- Serão apresentadas informações como o crescimento da área urbana, mudanças da toponímia, crescimento da população com o acréscimo de 400% da população "branca", sentido de crescimento da cidade, mudanças de hábitos e o novo modelo de cidade, entre outras questões-, antecipa o professor.
"A Manaus de 1920 a 1967: homogeneidade do conjunto e fragmentação do detalhe" será apresentada pelo professor José Aldemir de Oliveira.
Segundo o professor, a palestra está baseada numa pesquisa realizada em 2002 e foi apoiada em livros e artigos publicados em jornais e revistas, fontes documentais (planos, programas oficiais, censos, mensagens governamentais, leis, códigos de postura), material cartográfico e iconográfico sobre a cidade de Manaus, nesse período. Apoiou-se também em depoimentos reveladores de encontros e desencontros, que em alguns aspectos são percebidos não necessariamente pelo que foi revelado, mas pelo que ficou implícito, até mesmo pela ausência da fala.
- No nosso agora, o que predomina na cidade de Manaus são as vias não tão rápidas propondo a (ir)racionalidade da circulação com passagens de nível e viadutos, como dimensão de um urbanismo que busca apenas na técnica a solução para os problemas de uma cidade assinalada por profundas desigualdades. Este urbanismo racional e funcional na aparência é vazio de referências, sem história, carente de memória e desprovido de especificidade. Este urbanismo pode ser considerado como o ponto de partida ou de chegada, para compreender-se a cidade de Manaus. Todavia, o importante é analisar o ir e o vir que nos possibilite o entendimento da cidade como não linear. O que se quer é desvendar a espacialidade da cidade de Manaus no período de 1920 a 1967, considerado, na maioria dos estudos, como o ‘período da cidade em crise’-, afirma o professor Aldemir.
Milton Cordeiro
+ Bumbá Beats
+ Exposição Fotográfica: Manaus